
Música por estado
Um guia das cenas musicais do Brasil: gêneros, histórias e referências de estados das cinco regiões do país.
Jogar desafio de hojeUm país, muitas cenas
O Brasil não tem uma única música: tem dezenas de cenas que nasceram do encontro entre povos indígenas, africanos escravizados, colonizadores portugueses e imigrantes, e que se renovaram a cada geração com o rádio, a televisão, os bailes de periferia e a internet. Muitas vezes, basta ouvir alguns compassos para reconhecer de onde vem um som: o tambor do maracatu, a sanfona do baião, a viola caipira, a gaita do pampa ou o grave das aparelhagens.
Este guia percorre as cinco regiões do país e destaca estados com cenas marcantes, contando os gêneros característicos de cada lugar, o contexto em que surgiram e alguns nomes de referência. Os artistas citados são exemplos amplamente conhecidos, escolhidos para ilustrar cada cena; a seleção é editorial e não tem relação com os artistas do desafio diário.
Região Norte
A música do Norte nasce do encontro entre a herança indígena, os tambores trazidos por africanos escravizados e a vida ribeirinha da Amazônia. Por estar mais perto do Caribe do que do Sudeste, a região também absorveu pelo rádio ritmos como a cumbia, o merengue e o zouk, e transformou essas influências em gêneros próprios. Do marabaixo do Amapá às toadas de boi do Amazonas, passando pelas aparelhagens de Belém, é uma das regiões mais inventivas do país.
Pará
O carimbó é a matriz musical paraense. Nasceu nas comunidades do litoral e do Marajó, tocado com o curimbó, um tambor de tronco escavado que dá nome ao ritmo, além de maracas, banjo e sopros. É música de roda, dançada com saias rodadas, e chegou ao disco nos anos 1970 pelas mãos de nomes como Mestre Verequete e Pinduca, que ganhou o apelido de rei do carimbó. Décadas depois, Dona Onete mostrou que o gênero continuava vivo ao lançar seu primeiro álbum já depois dos setenta anos.
Na mesma época, guitarristas do interior começaram a reproduzir na guitarra elétrica as melodias que ouviam nas rádios caribenhas. Daí surgiu a guitarrada, que tem em Mestre Vieira, de Barcarena, seu pioneiro mais celebrado. A guitarrada e o carimbó ajudaram a formar a lambada, que explodiu nacionalmente no fim dos anos 1980.
Belém também é a capital do brega. O gênero romântico, popular nas festas de bairro, ganhou batidas eletrônicas nos anos 2000 e virou tecnobrega, espalhado por aparelhagens: enormes sistemas de som com luzes e DJs que funcionam como palco e espetáculo ao mesmo tempo. Esse circuito criou um mercado próprio, com CDs vendidos por camelôs e festas que lotam galpões, e projetou artistas como a Banda Calypso e Gaby Amarantos para todo o país.
Para conhecer: Pinduca, Mestre Verequete, Dona Onete, Mestre Vieira, Fafá de Belém, Banda Calypso e Gaby Amarantos.
Amazonas
A grande vitrine musical do Amazonas é o Festival Folclórico de Parintins, realizado no fim de junho na ilha do mesmo nome, no meio do rio Amazonas. Dois bois disputam a arena do Bumbódromo: o Garantido, vermelho, e o Caprichoso, azul. Cada agremiação apresenta lendas, rituais indígenas e alegorias gigantes, e tudo é conduzido pelas toadas, canções de ritmo marcado por tambores e palminhas que a plateia canta inteira.
A toada de boi saiu da ilha e ganhou as rádios da região nos anos 1990, com regravações e versões dançantes. Os levantadores de toada, cantores que puxam as apresentações, tornaram-se ídolos locais, e David Assayag é um dos nomes mais lembrados dessa função. Em Manaus, a cena também abriga rock, rap e música instrumental inspirada na floresta, mas é o boi que dá identidade ao estado.
Para conhecer: David Assayag, as toadas do Garantido e do Caprichoso e os compositores dos bois de Parintins.
Região Nordeste
Nenhuma região exportou tantos ritmos para o resto do Brasil quanto o Nordeste. Os ciclos de festa, como o Carnaval e o São João, sustentaram tradições populares por séculos, e a migração de nordestinos para o Sul e o Sudeste levou baião, forró e repente para os grandes centros. Ao mesmo tempo, capitais como Salvador e Recife produziram movimentos que mudaram a música popular brasileira, da Tropicália ao manguebeat.
Bahia
O samba de roda do Recôncavo Baiano, com palmas, prato e faca, viola e a dança miudinha, é uma das raízes do samba e foi reconhecido pela UNESCO como patrimônio imaterial da humanidade. Da mesma Bahia saíram Dorival Caymmi, que levou o mar e os pescadores para a canção, e João Gilberto, nascido em Juazeiro, cuja batida de violão é a base da bossa nova.
Nos anos 1960, os baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé estiveram no centro da Tropicália, movimento que misturou guitarra elétrica, poesia concreta e tradição popular. No Carnaval de Salvador, a invenção do trio elétrico por Dodô e Osmar, em 1950, levou a música para cima de caminhões e transformou a festa de rua.
A partir dos anos 1970, blocos afro como Ilê Aiyê e Olodum afirmaram a identidade negra no Carnaval. Os tambores do Olodum, sob a regência de Neguinho do Samba, consolidaram o samba-reggae, base rítmica que, somada ao frevo dos trios e à música pop, deu origem à axé music. O sucesso de Fricote, de Luiz Caldas, em 1985, costuma ser apontado como marco do gênero, que fez de Daniela Mercury e Ivete Sangalo estrelas nacionais. Hoje, grupos como o BaianaSystem atualizam essa herança com sound system e música eletrônica.
Para conhecer: Dorival Caymmi, João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Olodum, Ilê Aiyê, Daniela Mercury, Ivete Sangalo e BaianaSystem.
Pernambuco
O frevo surgiu no Recife no fim do século XIX, a partir das bandas militares e das disputas entre capoeiras que abriam caminho para elas no Carnaval. É música acelerada, de metais brilhantes, dançada com sombrinhas coloridas, e também foi reconhecida pela UNESCO como patrimônio imaterial. Compositores como Nelson Ferreira e Capiba escreveram frevos que ainda hoje animam os blocos de Recife e Olinda.
O estado também é casa do maracatu, em duas formas: o maracatu nação, de baque virado, ligado às coroações de reis e rainhas negros e às religiões de matriz africana; e o maracatu rural, de baque solto, com seus caboclos de lança da Zona da Mata. Do sertão pernambucano veio Luiz Gonzaga, nascido em Exu, que, com o cearense Humberto Teixeira, transformou o baião em fenômeno nacional nos anos 1940 e se tornou o rei do baião.
Nos anos 1990, Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A lançaram o manguebeat, que propunha conectar os tambores do maracatu ao rock, ao hip-hop e à música eletrônica, simbolizado pela imagem de uma antena parabólica fincada na lama do mangue. O disco Da Lama ao Caos, de 1994, é o marco do movimento. Pernambuco ainda revelou Alceu Valença e Lenine, e o brega recifense, que nas periferias se misturou ao funk e originou o brega-funk.
Para conhecer: Luiz Gonzaga, Capiba, Nelson Ferreira, Alceu Valença, Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e Lenine.
Ceará
O Ceará deu ao baião um de seus criadores: o advogado e compositor Humberto Teixeira, nascido em Iguatu, parceiro de Luiz Gonzaga em clássicos como Asa Branca. Nos anos 1970, uma geração de compositores cearenses ganhou o país com canções longas, letras existenciais e sotaque nordestino. Ficaram conhecidos como Pessoal do Ceará, e entre eles estão Fagner, Belchior e Ednardo.
A partir dos anos 1990, Fortaleza virou o centro do forró eletrônico. Bandas com teclados, guitarras, metais e grandes produções de palco, como o Mastruz com Leite, criado em 1990, profissionalizaram o forró de festa e criaram um circuito de shows, rádios e vaquejadas que se espalhou por todo o Nordeste e influencia o forró pop até hoje.
Para conhecer: Humberto Teixeira, Fagner, Belchior, Ednardo e Mastruz com Leite.
Maranhão
O Complexo Cultural do Bumba meu Boi do Maranhão, reconhecido pela UNESCO, é o coração das festas juninas do estado. Os grupos se organizam por sotaques, cada um com instrumentos e ritmos próprios: o de matraca, o de zabumba, o de orquestra, o da baixada e o de costa de mão. O tambor de crioula, dança de roda de origem afro-maranhense, é outro patrimônio cultivado em São Luís e no interior.
São Luís também ganhou o apelido de Jamaica brasileira. Desde os anos 1970, discos de reggae chegados por marinheiros e comerciantes passaram a tocar em radiolas, paredões de caixas de som que animam os clubes da cidade. O reggae maranhense tem dança agarradinha e cultura própria de colecionadores, e a capital mantém um museu dedicado ao gênero. Do estado saíram ainda vozes da MPB e do samba como Alcione e Zeca Baleiro.
Para conhecer: Alcione, Zeca Baleiro, os grupos de bumba meu boi e as radiolas de reggae de São Luís.
Paraíba
A Paraíba é terra de alguns dos maiores intérpretes da música nordestina. Jackson do Pandeiro, nascido em Alagoa Grande, levou o coco e o rojão para o rádio com uma divisão rítmica tão original que influenciou de sambistas a tropicalistas. Sivuca, de Itabaiana, foi sanfoneiro virtuoso e arranjador com carreira internacional.
A partir dos anos 1970 e 1980, paraibanos como Zé Ramalho, Elba Ramalho e, depois, Chico César combinaram o imaginário sertanejo, a cantoria de viola e o repente com rock, pop e MPB. A cultura dos violeiros e emboladores, que improvisam versos em desafios, continua presente nas feiras e festas do interior.
Para conhecer: Jackson do Pandeiro, Sivuca, Zé Ramalho, Elba Ramalho e Chico César.
Região Centro-Oeste
O Centro-Oeste combina a cultura caipira levada por tropeiros e migrantes, a influência paraguaia e boliviana das fronteiras e a experiência única de Brasília, uma capital planejada que formou uma geração de bandas de rock. É também a região onde o sertanejo encontrou seu maior mercado e de onde saíram muitos de seus ídolos.
Goiás
Goiás se tornou sinônimo de sertanejo. Nos anos 1990, duplas goianas como Leandro & Leonardo, de Goianápolis, e Zezé Di Camargo & Luciano, de Pirenópolis, levaram o sertanejo romântico ao topo das paradas e aos programas de televisão. Goiânia consolidou estúdios, empresários e casas de show especializados, e virou passagem obrigatória para quem quer fazer carreira no gênero.
Nos anos 2000, o sertanejo universitário aproximou a música das festas de estudantes e do pop. Na década seguinte, cantoras como Marília Mendonça, de Cristianópolis, ajudaram a fortalecer o chamado feminejo e a sofrência, com letras sobre traição e desilusão contadas do ponto de vista feminino. Em paralelo, Goiânia mantém uma cena de rock independente forte, com festivais tradicionais e bandas psicodélicas como Boogarins, que fizeram turnês no exterior.
Para conhecer: Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano, Marília Mendonça e Boogarins.
Mato Grosso do Sul
A fronteira com o Paraguai e a Bolívia deixou marcas profundas na música sul-mato-grossense. Polcas paraguaias, guarânias e chamamés tocados com harpa e acordeom fazem parte das festas e dos bailes, e se misturaram à moda de viola. O Pantanal também inspira canções sobre comitivas de gado, rios e bichos.
Almir Sater, de Campo Grande, tornou-se referência da viola caipira e levou a paisagem pantaneira para a televisão e para discos instrumentais. Tetê Espíndola, também da capital, chamou atenção nacional com sua voz aguda e experimental. O estado mostra como a música de fronteira pode ser, ao mesmo tempo, regional e cosmopolita.
Para conhecer: Almir Sater, Tetê Espíndola e os conjuntos de polca e chamamé da fronteira.
Mato Grosso
Em Cuiabá e na Baixada Cuiabana, a festa tem trilha própria: o rasqueado, ritmo dançante que mistura a polca paraguaia com a viola e o acordeom. Mais antigos ainda são o siriri, dança de roda em pares, e o cururu, cantoria de desafio executada por homens em louvor aos santos.
Essas tradições giram em torno da viola de cocho, instrumento escavado em um único tronco de madeira e encordoado artesanalmente, registrado como patrimônio cultural brasileiro pelo IPHAN. Mestres cururueiros e grupos de siriri mantêm a tradição viva em festas de santo e festivais, e artistas contemporâneos de Cuiabá vêm incorporando o rasqueado ao pop regional.
Para conhecer: Os mestres cururueiros, os grupos de siriri e os tocadores de viola de cocho da Baixada Cuiabana.
Distrito Federal
Brasília foi inaugurada em 1960 e, duas décadas depois, a primeira geração criada na nova capital fez da cidade um polo do rock nacional. Filhos de servidores públicos, professores e diplomatas, com acesso a discos de punk importados, formaram bandas como Aborto Elétrico, Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana. As letras de Renato Russo sobre juventude, política e solidão marcaram os anos 1980.
Ao mesmo tempo, Brasília desenvolveu uma tradição sólida no choro. O Clube do Choro, mantido há décadas, oferece shows e uma escola de música que formou instrumentistas de destaque, como o bandolinista Hamilton de Holanda, que cresceu nessa cena.
Para conhecer: Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude e Hamilton de Holanda.
Região Sudeste
Concentrando gravadoras, rádios e emissoras de televisão durante boa parte do século XX, o Sudeste funcionou como vitrine para artistas de todo o país. Mas a região também criou seus próprios gêneros: o samba e a bossa nova no Rio, a música caipira e o rap em São Paulo, o Clube da Esquina em Minas e o congo no Espírito Santo.
Rio de Janeiro
No começo do século XX, as casas de tias baianas na região da Praça Onze, como a de Tia Ciata, reuniam músicos que ajudaram a formar o samba urbano. Pelo Telefone, registrado por Donga em 1916 e gravado no ano seguinte, é considerado o primeiro samba gravado. O choro, com Chiquinha Gonzaga e Pixinguinha, já fazia a ponte entre a música europeia de salão e os ritmos afro-brasileiros.
No fim dos anos 1920, surgiram as escolas de samba, a partir do bairro do Estácio, e compositores como Cartola e Noel Rosa deram ao samba sua poesia. Em 1958 e 1959, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto lançaram a bossa nova, que conquistou o mundo com harmonias sofisticadas e um canto contido. Nos anos 1970, Jorge Ben e Tim Maia misturaram samba, soul e funk norte-americano.
Nas décadas seguintes, o Cacique de Ramos e o grupo Fundo de Quintal renovaram o samba com o pagode de fundo de quintal, que revelou Zeca Pagodinho. Nos bailes das periferias e favelas, o Miami bass foi reinventado como funk carioca, com coletâneas como Funk Brasil, de DJ Marlboro, em 1989. Hoje o funk é um dos gêneros mais ouvidos do país e influencia artistas do mundo inteiro.
Para conhecer: Pixinguinha, Cartola, Noel Rosa, Tom Jobim, Jorge Ben Jor, Tim Maia, Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho e DJ Marlboro.
São Paulo
Em 1929, o escritor e folclorista Cornélio Pires bancou as primeiras gravações de música caipira, levando as modas de viola do interior paulista para o disco. Duplas como Tonico & Tinoco consolidaram o gênero no rádio e são a origem distante do sertanejo atual. Na capital, Adoniran Barbosa criou um samba com sotaque ítalo-paulistano e crônicas da vida urbana, eternizado em clássicos como Trem das Onze.
Os festivais de música da televisão nos anos 1960 fizeram de São Paulo o palco das grandes disputas da MPB, e Os Mutantes, com Rita Lee, levaram o rock psicodélico para a Tropicália. No fim dos anos 1970, o teatro Lira Paulistana abrigou a Vanguarda Paulista, de Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, e nos anos 1980 surgiram bandas como Titãs e Ira!.
Nas periferias paulistanas, o hip-hop deu voz a uma nova geração. Os Racionais MC's, com o álbum Sobrevivendo no Inferno, de 1997, se tornaram a principal referência do rap nacional, e artistas como Emicida ampliaram o alcance do gênero. Mais recentemente, o funk paulista, com vertentes como o funk ostentação, levou a cena das quebradas para as plataformas digitais.
Para conhecer: Tonico & Tinoco, Adoniran Barbosa, Os Mutantes, Rita Lee, Itamar Assumpção, Titãs, Racionais MC's e Emicida.
Minas Gerais
O Clube da Esquina é a contribuição mais famosa de Minas para a música brasileira. O nome vem de uma esquina do bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, onde jovens músicos se reuniam. Milton Nascimento, criado em Três Pontas, Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta e o letrista Fernando Brant, entre outros, misturaram canto religioso, toadas mineiras, jazz e rock dos Beatles. O álbum duplo Clube da Esquina, de 1972, é presença constante nas listas de melhores discos brasileiros.
As raízes desse som estão nas tradições do interior: o congado e os reinados, festas afro-brasileiras em louvor a Nossa Senhora do Rosário, as folias de reis e a viola caipira. Minas também deu ao país compositores como Ary Barroso, de Ubá, autor de Aquarela do Brasil, e cantoras como Clara Nunes.
Belo Horizonte ainda tem uma das cenas de rock mais fortes do país. Foi lá que nasceu, em 1984, o Sepultura, a banda de metal brasileira mais conhecida no exterior, e nos anos 1990 surgiram nomes do pop rock como Skank, Pato Fu e Jota Quest.
Para conhecer: Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Ary Barroso, Clara Nunes, Sepultura, Skank e Pato Fu.
Espírito Santo
A expressão musical mais característica do Espírito Santo é o congo. As bandas de congo, presentes no litoral e na Grande Vitória, tocam tambores e a casaca, um reco-reco de madeira com cabeça esculpida, considerado símbolo da cultura capixaba. As festas de São Benedito e a fincada de mastros reúnem comunidades inteiras ao som dessas bandas.
O estado é berço de Roberto Carlos, nascido em Cachoeiro de Itapemirim, um dos artistas que mais venderam discos na história do país. Em Vitória, a cena independente revelou bandas de hardcore como o Dead Fish e artistas de pop contemporâneo como Silva.
Para conhecer: Roberto Carlos, Dead Fish, Silva e as bandas de congo da Grande Vitória.
Região Sul
O Sul combina a cultura do pampa, compartilhada com Uruguai e Argentina, a herança de imigrantes açorianos, alemães, italianos e eslavos e cenas urbanas que produziram parte importante do rock brasileiro. O frio, o campo e a fronteira aparecem com frequência nas letras e na própria sonoridade da região.
Rio Grande do Sul
A música gaúcha tradicional gira em torno dos Centros de Tradições Gaúchas, os CTGs, cujo primeiro, o 35 CTG, foi fundado em Porto Alegre em 1948. Vanerão, chula, milonga, xote e chamamé são tocados com gaita, violão e voz. Teixeirinha, com Coração de Luto, foi um dos primeiros grandes vendedores de discos do estado, e Renato Borghetti levou a gaita-ponto para palcos do mundo todo.
Em 1971, a Califórnia da Canção Nativa, em Uruguaiana, inaugurou a era dos festivais nativistas, que estimularam canções novas sobre o pampa e a vida no campo. Nos anos 2000, o compositor pelotense Vitor Ramil formulou a ideia de uma estética do frio, defendendo que a música do extremo sul tem um tempo e uma melancolia próprios, mais próximos da milonga do que do samba.
Porto Alegre tem também tradição na canção urbana, de Lupicínio Rodrigues, mestre da dor de cotovelo, a Elis Regina, uma das maiores intérpretes do país. Nos anos 1980 e 1990, o rock gaúcho ganhou identidade com Engenheiros do Hawaii, Nenhum de Nós e Os Replicantes, e depois com bandas como Cachorro Grande.
Para conhecer: Teixeirinha, Renato Borghetti, Vitor Ramil, Lupicínio Rodrigues, Elis Regina e Engenheiros do Hawaii.
Paraná
No litoral paranaense, comunidades caiçaras mantêm o fandango, um conjunto de danças e músicas tocadas com viola, rabeca e adufo, acompanhadas pelo bater de tamancos no chão. O fandango caiçara, compartilhado com o litoral sul paulista, foi registrado como patrimônio cultural brasileiro pelo IPHAN.
O norte do Paraná, colonizado por migrantes paulistas e mineiros, é terra de música sertaneja: Chitãozinho & Xororó, de Astorga, estão entre as duplas que modernizaram o gênero nos anos 1980. Em Curitiba, a cena de rock, punk e música eletrônica é conhecida pela experimentação e por bandas que circularam fora do país, enquanto poetas como Paulo Leminski escreveram letras gravadas por grandes nomes da MPB.
Para conhecer: Chitãozinho & Xororó, os fandangueiros do litoral e a cena independente de Curitiba.
Santa Catarina
A colonização açoriana deixou em Florianópolis e no litoral catarinense tradições como o boi de mamão, folguedo com personagens como a Bernúncia e a Maricota, acompanhado por cantorias e instrumentos simples, e a ratoeira, cantiga de roda com versos improvisados. Nas regiões de colonização alemã e italiana, corais, bandinhas e festas como a Oktoberfest de Blumenau preservam repertórios trazidos pelos imigrantes.
Na ilha de Santa Catarina, a cultura do surfe e do litoral ajudou a formar uma cena de reggae e rock com sotaque manezinho, da qual o Dazaranha é um dos nomes mais populares, com letras que falam do mar, da pesca e da vida na ilha.
Para conhecer: Dazaranha, os grupos de boi de mamão e as bandinhas do Vale do Itajaí.
Teste seus conhecimentos
No Qual o Som, o estado de origem é uma das pistas para descobrir o artista brasileiro do dia, ao lado de ano, estilo, gênero e popularidade. Conhecer as cenas de cada região ajuda a ler essas pistas e a chegar mais rápido à resposta.